Matriz de Sistematização das Experiências | Processos de Sistematização ABA-Agroecologia

A matriz de sistematização[1] é uma importante ferramenta de reflexão e organização dos conteúdos a ser utilizada ao longo do processo de Sistematização (Anexo completo em planilha de Excel). A matriz está organizada em 9 temas principais e 8 temas transversais que, cruzados, permitem analisar as práticas de construção do conhecimento agroecológico realizadas pelos NEAs, além dos impactos das políticas públicas para construção deste conhecimento. Estes temas definem o eixo de sistematização[2] orientador do processo de Sistematização das Experiências

 Definição dos eixos de sistematização na matriz de sistematização

Como nos lembra Oscar Jara (2012), o eixo de sistematização é como a coluna vertebral que nos comunica com toda a experiência a partir de diferentes aspectos. Para ele, “o eixo tem um sentido fundamentalmente prático, deve ser um facilitador do processo de sistematização e evitar perder-se na multidão de elementos da experiência que, mesmo estado presentes, não poderão ser tão relevantes”. Um eixo de sistematização pode ser formulado de diferentes maneiras, através de perguntas-eixo ou de temáticas aglutinadoras, e deve ser coerente com o objetivo e com o objeto do projeto/ação que será sistematizado. (Para saber mais: capítulo 4 do Livro a Sistematização de Experiências: Prática e Teoria de Oscar Jara, 2012

[1] Esta proposta de matriz foi produto de um caminhar iniciado pela Direção da ABA-Agroecologia ao longo do ano de 2015 construído durante quatro momentos principais: 1) Reunião com os Diretores da ABA, membros dos Grupos de Trabalho (GT) e do Conselho Editorial, realizada em março de 2015 em Belém que deu origem aos temas principais, temas transversais e perguntas que organizam a matriz; 2) Reunião pré IX CBA – Congresso Brasileiro de Agroecologia, em setembro de 2015 também com a presença dos diretores da ABA e dos GTs, onde foi possível realizar uma leitura conjunta da matriz, revisão e inclusão de reflexões e temáticas; 3) Oficina com os NEAs pós CBA, em outubro de 2015, onde a matriz foi revisitada conjuntamente. Alguns dos temas principais e transversais foram propostos à partir das parcerias e compromissos construídos junto ao Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA); e, por fim, a preparação para o II Seminário Nacional de Educação em Agroecologia que será realizado na UFRRJ e cuja convocatória segue no link.

[2] O eixo de sistematização define quais os aspectos principais da experiência que o grupo está interessado em analisar. Funciona como uma espécie de guia ou foco para a sistematização e deve conter a pergunta ou perguntas que orientarão os resgates e os ordenamentos que vão garantir as reflexões durante o processo (Jara, 2006, op. Cit).

Matriz de Sistematização – Versão Julho/2016

tabela 2

Questões ORIENTADORAS (não devem ser seguidas a riscas), formuladas de acordo com os números das células (colunas x linhas) da tabela acima. Outras questões podem ser formuladas. O texto deve ser corrido e não pergunta/resposta.

  1. Metodologia(s) utilizada(s) pela experiência, ou núcleo ( ou rede de núcleos).

1.1. Quais as áreas de atuação da experiência e ou núcleo, suas principais ações e práticas?

1.2. A experiência ou núcleo adota metodologias participativas? Se sim, como e por quê?

1.3. Como se dá a trans/interdisciplinaridade e indissociabilidade nas ações da experiência ou núcleo?

1.4. Qual/is o/s território/os de atuação da experiência, ou núcleo?

1.5. Como a experiência, ou núcleo registra e organiza as ações construídas e os resultados obtidos?

1.6. Quais as estratégias/métodos de comunicação interna e externa da experiência ou núcleo?

1.7. Como a experiência ou núcleo procura articular e ou visibilizar os aspectos culturais em suas atividades?

1.8. Quais as referências da literatura que apoiam as metodologias utilizadas pela experiência ou núcleo?

  1. Processo educativo da experiência, ou núcleo (ou rede de núcleos)

2.1. Como as metodologias utilizadas contribuíram para o processo de aprendizagem individual e coletiva?

2.2. Por que o núcleo foi criado ou a experiência foi iniciada?

2.3. A indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão estiveram presentes em sua experiência ou núcleo? Como?

2.4. Qual é a concepção de território utilizada pelos protagonistas da experiência ou núcleo? Ela contribuiu para os aprendizados dos participantes?

2.5. Quais as relações existentes entre a experiência e os processos produtivos e organizativos (destaque: relações de cooperação e a geração de autonomia). Em que proporção essas relações ocorrem internamente na experiência apresentada?

2.6. A comunicação foi utilizada como uma estratégia de aprendizagem da experiência ou núcleo? Como e por quê?

2.7. Como a cultura local foi incorporada nos processos de aprendizagem no decorrer da experiência ou núcleo?

2.8. Quais são os marcos teóricos e os principais referenciais bibliográficos acionados para a formação pedagógica da experiência ou núcleo?

  1. Parcerias/Atores

3.1. Quais os principais parceiros e ou atores da experiência ou núcleo? Por que foram escolhidos estes parceiros?

3.2. Quais princípios orientam as relações com os atores/parceiros da experiência (dialogicidade, autonomia, horizontalidade…)

3.3. Como os parceiros contribuíram para a trans/interdisciplinaridade e indissociabilidade? O trabalho é construído em rede?

3.4. Quais são as principais organizações e atores no(s) território(s) onde a experiência transcorreu ou onde o núcleo atua?

3.5. São feitas avaliações envolvendo os atores parceiros nos territórios? Se sim, como?

3.6. Quais as formas de comunicação com os parceiros e outros atores atuantes no(s) território(s)?

3.7. As parcerias construídas contribuíram para a reflexão sobre a relação entre agroecologia e cultura?

3.8. Quais os referenciais teóricos utilizados para apoiar as opções de trabalho em parceria?

  1. Diversidades/Etnicidades

4.1. Considerando a diversidade de povos e comunidades, do campo e da cidade, quais são os principais povos e ou comunidades envolvidas com a experiência ou núcleo? O que as diferenciam?

4.2. O princípio da diversidade (documento referência I SNEA) fortaleceu os diversos grupos étnicos envolvidos na experiência? Como?

4.3. Como os princípios (I SNEA) da diversidade e da complexidade dialogaram e contribuíram para a busca da trans/interdisciplinaridade e indissociabilidade presentes nas ações da experiência ou núcleo?

4.4. Quais as percepções sobre as diversidades e etnicidades no/s território/s?

4.5. Como os autores avaliam a experiência ou atuação do núcleo em relação as diversidades e etnicidades?

4.6. Existem estratégias de comunicação direcionadas ao diálogo com as diferentes etnicidades? Quais são?

4.7. Aponte as diversidades culturais presentes nas atividades e como elas fortaleceram a identidades étnicas.

4.8. Quais os referenciais teóricos utilizados para apoiar as opções de trabalho com as diversidades e etnicidades?

  1. (Agro)biodiversidade, solos, água e demais “Recursos” Naturais

5.1. Quais as ações desenvolvidas pela experiência ou núcleo tratam da (agro)biodiversidade, água e solo? Outros bens naturais estiveram presentes nas ações da experiência ou núcleo? Quais?

5.2. Quais os principais motivadores para trabalhar com estes temas?

5.3. Como se dá a trans/interdisciplinaridade e indissociabilidade no trabalho da agrobiodiversidade, água e solo e demais bens naturais?

5.4. Quais as percepções da biodiversidade, solo e água e demais bens naturais no(s) território(s)?

5.5. Quais os principais resultados/impactos de sua ação em relação a (agro)biodiversidade, solo e água e demais bens naturais?

5.6. Como os resultados das ações com esta temática foram divulgados/comunicados com os parceiros e público geral?

5.7. Quais as relações entre cultura e o manejo da agrobiodiversidade, solo e água e demais bens naturais foram identificadas?

5.8. Como os referenciais teóricos utilizados dialogam com o tema da agrobiodiversidade, solo, água e demais bens naturais?

  1. Gênero

6.1. As ações desenvolvidas tratam da questão de gênero? Se sim, quais?

6.2. As ações fortaleceram o princípio adotado pelos movimentos agroecológicos de que “sem feminismos não há agroecologia”? Como?

6.3. As ações trans/interdisciplinaridade e de busca da indissociabilidade fortaleceram a equidade de gênero?

6.4. Como é percebida a questão de gênero no(s) território(s)?

6.5. Quais os principais resultados/impactos no que se refere as questões de gênero sua experiência alcançou?

6.6. Existem formas de comunicação direcionadas ao diálogo com as mulheres e sobre a questão de gênero? Quais são?

6.7. Quais os aspectos culturais enfraquecem ou fortalecem as relações de gênero entre os atores e parceiros de sua experiência? Por quê?

6.8. Como os referenciais teóricos do feminismo embasam as ações de gênero de sua experiência?

  1. Juventude

7.1. Quais jovens estão envolvidos com a experiência ou núcleo? Como?

7.2. O núcleo trabalha com os princípios da autogestão e autonomia dos estudantes? Se sim, como as ações são desenvolvidas para assegurar tais princípios?

7.3. As ações com a juventude são realizadas de forma trans/interdisciplinaridade e procurando a indissociabilidade? Como?

7.4. Qual é a percepção da questão da juventude no(s) território(s)?

7.5. Quais os principais resultados/impactos alcançados com a juventude? De que forma?

7.6. Existem estratégias de comunicação direcionadas ao diálogo com a juventude? Quais são?

7.7. Quais os aspectos culturais enfraquecem ou fortalecem as relações com a juventude? Por quê?

7.9. Quais os referenciais teóricos utilizados para apoiar as opções de trabalho com a juventude?

  1. Saúde

8.1. Quais as ações desenvolvidas tratam da questão da saúde?

8.2. Quais princípios orientam o trabalho sobre a saúde?

8.3. Como se dá a trans/interdisciplinaridade e indissociabilidade nas ações relacionadas à saúde?

8.4. Quais as percepções sobre saúde no(s) e dos território(s)?

8.5. A experiência ou núcleo contribuiu para melhorar a percepção entre a relação entre alimento saudável e saúde? Como?

8.6. Existem estratégias de comunicação direcionadas ao diálogo sobre saúde? Quais são?

8.7. Quais os aspectos culturais e ou mudanças culturais contribuíram para uma melhor ou pior saúde nos territórios? Por quê?

8.8. Quais os referenciais teóricos utilizados para apoiar as opções de trabalho com a saúde?

  1. Políticas Públicas

9.1 Quais políticas públicas estão sendo acessadas e/ou estudadas/identificadas pela experiência ou núcleo?

9.2 Por quê a experiência tratou dessas políticas públicas?

9.3. Como se dá a trans/interdisciplinaridade e indissociabilidade nesta(s) temática(s)?

9.4. Quais políticas públicas incidem no(s) território(s) de sua atuação?

9.5. Quais os principais resultados/impactos das políticas públicas acessadas/identificadas/estudadas pela experiência ou núcleo? Quais as principais avaliações e ou demandas em relação a estas políticas?

9.6. Existem estratégias de comunicação direcionadas ao diálogo sobre as políticas públicas? Quais?

9.7. Quais políticas públicas fortaleceram ou enfraqueceram os laços culturais no território?

9.8. Como os referenciais teóricos dialogam com suas reflexões sobre as políticas públicas?

[1]Veja os princípios e as diretrizes da Educação em Agroecologia propostos pelo I SNEA em http://www.aba-agroecologia.org.br/revistas/index.php/cad/article/view/20800/12191

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