Uma carta para Sandro

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Agroecologia em luto. Difícil encontrar palavras nesse momento.

Tem pessoas – solares – que incendeiam a vida, os territórios, outras  pessoas e a luta por justiça em toda sua diversidade. Para nós do movimento agroecológico é alimento saber que existem diversos sujeitos espalhados por nosso Brasil, semeando o bem viver, lutando por democracia e agroecologia, educando gerações de jovens mais conectados entre si, com a força do fazer coletivo e em sintonia com  os diferentes agroecossistemas.

São estes mesmos sujeitos que dia a dia vêm sendo assassinados por um sistema hegemônico, opressor, machista, racista e LGBTfóbico.

No final do mês de junho, no dia 29/06/2019, mais uma dessas vidas nos foi tirada. Perdemos mais um dos nossos tão dedicados educadores. Sandro Cipriano (Presente!) foi cruelmente assassinado. O sangue dos que fazem da vida luta segue sendo derramado. Sandro, de 35 anos de idade, formado em Pedagogia, militou pelos Direitos Humanos sendo uma das maiores lideranças da juventude rural no estado de Pernambuco.

Em sua trajetória a luta pela defesa de direitos, sobretudo a causa do movimento LGBT, que teve papel fundamental em mobilizar e liderar diversos coletivos. Desde 2016 era diretor do Serviço de Tecnologia Alternativa (SERTA), lugar onde começou sua história ainda estudante e colaborou por mais de 15 anos.

É difícil encontrar palavras para homenagear esse ser de luz, mas a ABA-Agroecologia vem através desta nota se solidarizar com o luto da família, dos amigos/as e do movimento agroecológico  no país. E quando não existirem palavras, que a poesia possa traduzir e seguir semeando a arte da vida dessas pessoas tão importantes:

“Tempo, mestre e senhor do desconhecido

que as encruzilhadas das dúvidas sejam afastadas

de minha vida e que o seu vento sopre ao encontro do meu espírito

Ossaim, meu pai, mestre e senhor das folhas

que suas folhas possam alegrar minh’alma

possam enfeitar o meu destino

que suas folhas me cubram de proteção e cuidado

música, mãe e senhora das curas

que o seu pássaro cante para levar minha saudade

cante para levar minha dor

e que o seu pássaro cante eternamente

para que eu possa sentir o seu amor”

(Oração para Ossaim)

O medo nos paralisa e é contra ele que também lutamos e resistimos. Nesse tecer coletivo e colorido, junto com a ABA-Agroecologia também assinam essa nota o coletivo LGBT articulado durante o IV Encontro Nacional de Agroecologia (ENA). Entre outras conquistas que nos movem, mesmo em uma conjuntura tão desafiadora, está o lugar assumido por nossa bandeira de luta junta às tantas que compõem a luta pela Agroecologia: “Se Há LGBTfobia Não Há Agroecologia!”

Sandro segue presente! presente! presente! Inspirando e iluminando nossa luta que segue.

  2 COMENTÁRIOS
Comunicação popular Escrita coletiva
  • Angela Alves de Almeida

    Muito triste. Cada dia sofremos um golpe nas liberdades de expressões, nossos icones e irmāos estāo sucumbindo a esta barbárie que se instaourou neste país. Sem palavras.

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