Matriz de Sistematização das Experiências | Processos de Sistematização ABA-Agroecologia

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A matriz de sistematização[1] é uma importante ferramenta de reflexão e organização dos conteúdos a ser utilizada ao longo do processo de Sistematização (Anexo completo em planilha de Excel). A matriz está organizada em 9 temas principais e 8 temas transversais que, cruzados, permitem analisar as práticas de construção do conhecimento agroecológico realizadas pelos NEAs, além dos impactos das políticas públicas para construção deste conhecimento. Estes temas definem o eixo de sistematização[2] orientador do processo de Sistematização das Experiências.

Questões Gerais:

 Definição dos eixos de sistematização na matriz de sistematização

Como nos lembra Oscar Jara (2012), o eixo de sistematização é como a coluna vertebral que nos comunica com toda a experiência a partir de diferentes aspectos. Para ele, “o eixo tem um sentido fundamentalmente prático, deve ser um facilitador do processo de sistematização e evitar perder-se na multidão de elementos da experiência que, mesmo estado presentes, não poderão ser tão relevantes”. Um eixo de sistematização pode ser formulado de diferentes maneiras, através de perguntas-eixo ou de temáticas aglutinadoras, e deve ser coerente com o objetivo e com o objeto do projeto/ação que será sistematizado. (Para saber mais: capítulo 4 do Livro a Sistematização de Experiências: Prática e Teoria de Oscar Jara, 2012

Matriz de Sistematização – Versão Junho/2017

Questões ORIENTADORAS (não devem ser seguidas a riscas), formuladas de acordo com os números das células (colunas x linhas) da tabela acima. Outras questões podem ser formuladas. O texto deve ser corrido e não pergunta/resposta.

  1. Perguntas Geradoras:

     

    Atenção: onde lê-se NEA, considera-se também RNEA ou CVT.

     

    1. Processo educativo do núcleo (CVT ou rede de núcleos)

    1.1. Quais as principais áreas de atuação do núcleo, suas principais ações e práticas?

    1.2. O núcleo (ou R-NEA, CVT) adota metodologias participativas? Se sim, como e por quê?

    1.3. Como se dá a trans/interdisciplinaridade e indissociabilidade nas ações do núcleo (ou R-NEA, CVT)?

    1.4. Qual/is o/s território/os de atuação do núcleo?

    1.5. Como o núcleo registra e organiza as ações construídas e os resultados obtidos?

    1.6. Quais as estratégias/métodos de comunicação interna e externa do núcleo?

    1.7. Como o núcleo procura articular e ou visibilizar os aspectos culturais em suas atividades?

    1.8. Quais as referências da literatura que apoiam as metodologias utilizadas pelo núcleo?

     

    1. Metodologia(s) utilizada(s) pelo núcleo

    2.1. Como as metodologias utilizadas contribuíram para o processo de aprendizagem individual e coletiva?

    2.2. Por que o núcleo foi criado?

    2.3. A indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão estiveram presentes no núcleo? Como?

    2.4. Qual é a concepção de território utilizada pelos protagonistas do núcleo? Ela contribuiu para os aprendizados dos participantes?

    2.5. Quais as relações existentes entre as atividades do NEA e os processos produtivos e organizativos (destaque: relações de cooperação e a geração de autonomia). Em que proporção essas relações ocorrem internamente no NEA?

    2.6. A comunicação foi utilizada como uma estratégia de aprendizagem do núcleo? Como e por quê?

    2.7. Como a cultura local foi incorporada nos processos de aprendizagem do núcleo?

    2.8. Quais são os marcos teóricos e os principais referenciais bibliográficos acionados para a formação pedagógica no núcleo?

     

    1. Parcerias/Atores

    3.1. Quais os principais parceiros e ou atores do núcleo? Por que foram escolhidos estes parceiros?

    3.2. Quais princípios orientam as relações com os atores/parceiros do NEA (dialogicidade, autonomia, horizontalidade…)?

    3.3. Como os parceiros contribuíram para a trans/interdisciplinaridade e indissociabilidade? O trabalho é construído em rede?

    3.4. Quais são as principais organizações e atores no(s) território(s) onde o núcleo atua?

    3.5. São feitas avaliações envolvendo os atores parceiros nos territórios? Se sim, como?

    3.6. Quais as formas de comunicação com os parceiros e outros atores atuantes no(s) território(s)?

    3.7. As parcerias construídas contribuíram para a reflexão sobre a relação entre agroecologia e cultura?

    3.8. Quais os referenciais teóricos utilizados para apoiar as opções de trabalho em parceria?

     

    1. Diversidades/Etnicidades

    4.1. Considerando a diversidade de povos e comunidades, do campo e da cidade, quais são os principais povos e ou comunidades envolvidas com o núcleo? O que as diferenciam?

    4.2. As diversidades e etnicidades são consideradas como princípio do NEA? Por quê?

    4.3. Como se dá a trans/interdisciplinaridade e indissociabilidade nesta/s temática/s?

    4.4. Quais as percepções sobre as diversidades e etnicidades no/s território/s?

    4.5. Como é a atuação do núcleo em relação as diversidades e etnicidades?

    4.6. Existem estratégias de comunicação direcionadas ao diálogo com as diferentes etnicidades? Quais são?

    4.7. Aponte as diversidades culturais presentes nas atividades e como elas fortaleceram a identidades étnicas.

    4.8. Quais os referenciais teóricos utilizados para apoiar as opções de trabalho com as diversidades e etnicidades?

     

    1. (Agro)biodiversidade, solos, água e demais “Recursos” Naturais

    5.1. Quais as ações desenvolvidas pelo núcleo tratam da (agro)biodiversidade, água e solo? Outros bens naturais estiveram presentes nas ações do núcleo? Quais?

    5.2. Quais os principais motivadores para trabalhar com estes temas?

    5.3. Como se dá a trans/interdisciplinaridade e indissociabilidade no trabalho da agrobiodiversidade, água e solo e demais bens naturais?

    5.4. Quais as percepções da biodiversidade, solo e água e demais bens naturais no(s) território(s)?

    5.5. Quais os principais resultados/impactos de sua ação em relação a (agro)biodiversidade, solo e água e demais bens naturais?

    5.6. Como os resultados das ações com esta temática foram divulgados/comunicados com os parceiros e público geral?

    5.7. Quais as relações entre cultura e o manejo da agrobiodiversidade, solo e água e demais bens naturais foram identificadas?

    5.8. Como os referenciais teóricos utilizados dialogam com o tema da agrobiodiversidade, solo, água e demais bens naturais?

     

    1. Gênero

    6.1. As ações desenvolvidas tratam da questão de gênero? Se sim, quais?

    6.2. As ações fortaleceram o princípio adotado pelos movimentos agroecológicos de que “sem feminismos não há agroecologia”? Como?

    6.3. As ações trans/interdisciplinaridade e de busca da indissociabilidade fortaleceram a equidade de gênero?

    6.4. Como é percebida a questão de gênero no(s) território(s)?

    6.5. Quais os principais resultados/impactos no que se refere as questões de gênero o NEA alcançou?

    6.6. Existem formas de comunicação direcionadas ao diálogo com as mulheres e sobre a questão de gênero? Quais são?

    6.7. Quais os aspectos culturais enfraquecem ou fortalecem as relações de gênero entre os atores e parceiros do NEA? Por quê?

    6.8. Como os referenciais teóricos do feminismo embasam as ações de gênero de do NEA?

     

    1. Juventude

    7.1. Quais jovens estão envolvidos com o núcleo? Como é este envolvimento?

    7.2. O núcleo trabalha com os princípios da autogestão e autonomia dos estudantes? Se sim, como as ações são desenvolvidas para assegurar tais princípios?

    7.3. As ações com a juventude são realizadas de forma trans/interdisciplinaridade e procurando a indissociabilidade? Como?

    7.4. Qual é a percepção da questão da juventude no(s) território(s)?

    7.5. Quais os principais resultados/impactos alcançados com a juventude? De que forma?

    7.6. Existem estratégias de comunicação direcionadas ao diálogo com a juventude? Quais são?

    7.7. Quais os aspectos culturais enfraquecem ou fortalecem as relações com a juventude? Por quê?

    7.9. Quais os referenciais teóricos utilizados para apoiar as opções de trabalho com a juventude?

     

    1. Saúde

    8.1. Quais as ações desenvolvidas tratam da questão da saúde?

    8.2. Quais princípios orientam o trabalho sobre a saúde?

    8.3. Como se dá a trans/interdisciplinaridade e indissociabilidade nas ações relacionadas à saúde?

    8.4. Quais as percepções sobre saúde no(s) e dos território(s)?

    8.5. O núcleo contribuiu para melhorar a percepção entre a relação entre alimento saudável e saúde? Como?

    8.6. Existem estratégias de comunicação direcionadas ao diálogo sobre saúde? Quais são?

    8.7. Quais os aspectos culturais e ou mudanças culturais contribuíram para uma melhor ou pior saúde nos territórios? Por quê?

    8.8. Quais os referenciais teóricos utilizados para apoiar as opções de trabalho com a saúde?

     

    1. Políticas Públicas

    9.1 Quais políticas públicas estão sendo acessadas e/ou estudadas/identificadas pelo núcleo?

    9.2 Por quê a NEA atua com essas políticas públicas?

    9.3. Como se dá a trans/interdisciplinaridade e indissociabilidade nesta(s) temática(s)?

    9.4. Quais políticas públicas incidem no(s) território(s) de sua atuação?

    9.5. Quais os principais resultados/impactos das políticas públicas acessadas/identificadas/estudadas pelo núcleo? Quais as principais avaliações e ou demandas em relação a estas políticas?

    9.6. Existem estratégias de comunicação direcionadas ao diálogo sobre as políticas públicas? Quais?

    9.7. Quais políticas públicas fortaleceram ou enfraqueceram os laços culturais no território?

    9.8. Como os referenciais teóricos dialogam com suas reflexões sobre as políticas públicas?

     

[1] Esta proposta de matriz foi produto de um caminhar iniciado pela Direção da ABA-Agroecologia ao longo do ano de 2015 construído durante quatro momentos principais: 1) Reunião com os Diretores da ABA, membros dos Grupos de Trabalho (GT) e do Conselho Editorial, realizada em março de 2015 em Belém que deu origem aos temas principais, temas transversais e perguntas que organizam a matriz; 2) Reunião pré IX CBA – Congresso Brasileiro de Agroecologia, em setembro de 2015 também com a presença dos diretores da ABA e dos GTs, onde foi possível realizar uma leitura conjunta da matriz, revisão e inclusão de reflexões e temáticas; 3) Oficina com os NEAs pós CBA, em outubro de 2015, onde a matriz foi revisitada conjuntamente. Alguns dos temas principais e transversais foram propostos à partir das parcerias e compromissos construídos junto ao Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA); e, por fim, a preparação para o II Seminário Nacional de Educação em Agroecologia que será realizado na UFRRJ.

[2] O eixo de sistematização define quais os aspectos principais da experiência que o grupo está interessado em analisar. Funciona como uma espécie de guia ou foco para a sistematização e deve conter a pergunta ou perguntas que orientarão os resgates e os ordenamentos que vão garantir as reflexões durante o processo (Jara, 2006, op. Cit).

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