
A Associação Brasileira de Agroecologia (ABA-Agroecologia) realizou, entre os dias 28 e 30 de abril de 2026, seu encontro de planejamento estratégico. A atividade ocorreu na Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), em Guararema (SP), espaço de formação política, cultural e acadêmica dedicado à classe trabalhadora, construído pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e que gentilmente nos acolheu.
O encontro reuniu a Diretoria Ampliada da entidade e sua equipe de assessoria, tendo como objetivos: (1) analisar o atual cenário de construção da agroecologia, como ciência, movimento político e prática social, em nível nacional e internacional; (2) avaliar a trajetória recente da Associação, identificando avanços e desafios; (3) definir um conjunto integrado de ações prioritárias, visando o fortalecimento político e institucional da entidade no próximo período.
O cenário atual de construção da Agroecologia
Foram destacados os resultados positivos alcançados pelos Congressos Brasileiros de Agroecologia (CBAs) ao longo de sua história, com especial atenção às suas últimas edições, considerando não apenas o número total de participantes (mais de 6 mil inscritos no 13o CBA em 2025) e a composição do público envolvido, como também as inovações metodológicas incorporadas ao processo de construção do evento.
Como território de encontros, os CBAs integram, em seu formato atual, um conjunto diversificado de atores, linguagens e práticas, tendo como fio condutor a produção e o intercâmbio de conhecimentos. Seu método de construção tem contribuído para fortalecer alianças com diferentes movimentos e organizações sociais, potencializando diálogos disciplinares e transdisciplinares.
Foi registrada, também, como uma importante conquista, a retomada do financiamento dos Núcleos de Estudos em Agroecologia e Produção Orgânica (NEAs), através da Chamada Pública operacionalizada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), lançada em 2025, que viabilizou o apoio a 73 Núcleos, com atuação nas diferentes regiões do país.
A retomada da política de financiamento aos NEAs é resultado de um esforço coordenado de incidência direcionado à reconstrução das políticas públicas voltadas ao fortalecimento da agroecologia, da agricultura camponesa e familiar e da Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (SSAN), protagonizado por diferentes movimentos e organizações sociais. A participação da ABA Agroecologia em diferentes espaços de participação social, incluindo a Comissão Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (CNAPO), o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA), o Comitê Permanente de Pesquisa e Inovação do CONDRAF/MDA, entre outros, tem contribuído para dar uma maior densidade a essa atuação, fortalecendo laços com os demais atores do campo agroecológico.
A trajetória recente da ABA-Agroecologia

A análise de cenários que subsidiou a elaboração do planejamento estratégico da Associação para a Gestão 2026-2027, permitiu às pessoas participantes do encontro mapear, coletivamente, todo um conjunto de oportunidades e desafios que deverão atravessar a atuação da ABA-Agroecologia nos próximos dois anos.
O objetivo é seguir cumprindo a missão registrada no Estatuto de “incentivar e contribuir para a produção de conhecimentos técnico-científicos no campo da Agroecologia, de forma integrada ao saber popular” e de “contribuir na elaboração e implantação de políticas públicas, visando a melhoria da qualidade de vida e a inclusão social”.
O lema do 13o Congresso Brasileiro de Agroecologia – Agroecologia, convivência com os territórios e justiça climática – mantém-se como uma referência importante na atuação da entidade nesta gestão, apontando para uma postura crítica e atenta em relação ao aprofundamento das desigualdades sociais no Brasil e no mundo, em um contexto marcado pela crise ecológica global e por múltiplas crises entrelaçadas.
As diretrizes incorporadas à Carta Política do 13o CBA publicada em 2025, permanecem como eixos norteadores da atuação da Associação no atual cenário, incluindo: a atenção permanente aos atores que constroem a agroecologia nos territórios, suas lutas e demandas; o persistente compromisso com a construção de uma ciência crítica – que reconhece, celebra e dialoga com as diferentes formas de produção de conhecimento; o questionamento sistemático às falsas soluções no enfrentamento da crise climática; a luta pela ampliação e aperfeiçoamento das políticas de educação, pesquisa, apoio à produção agroecológica e fortalecimento da Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional.
Os próximos passos da ABA-Agroecologia
Em nível nacional, a ABA-Agroecologia, como organização integrante da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), deverá se somar ao esforço de preparação rumo ao 5º Encontro Nacional de Agroecologia (ENA), agendado para maio de 2027.
O 5º ENA deverá se constituir, para as organizações do campo agroecológico, como um espaço de fortalecimento de alianças e acúmulo de forças, atravessando, em seu processo de preparação, um período marcado pelas eleições e pelo debate público envolvendo diferentes projetos de país.
Os debates travados durante o planejamento estratégico, reforçaram, ao mesmo tempo, a necessidade da associação em dar um salto de qualidade no que diz respeito à sua organicidade, buscando fazer frente aos desafios que estão colocados para a atuação da entidade.
Aprimorar a comunicação com os associados, reforçar a atuação das vice-presidências regionais, fortalecer os Grupos de Trabalho e sua conexão entre si e com o planejamento da ABA-Agroecologia, qualificar a atuação da Associação em seus diferentes espaços de incidência, articular os NEAs e fortalecer seus mecanismos de financiamento, foram algumas das tarefas apontadas como fundamentais nos próximos dois anos.
Nesse processo de fortalecimento institucional, o planejamento aponta, também, para a organização, no segundo semestre de 2027, de um encontro nacional de reflexão sobre a agroecologia como ciência, direcionado às pessoas associadas à ABA-Agroecologia. O evento deve debater a diversidade de experiências em curso voltadas à construção da agroecologia como ciência, considerando sua articulação com atores coletivos e práticas sociais.
A preparação desse encontro deverá se conectar a toda uma série de iniciativas, algumas delas já em construção, que estão emergindo, de forma descentralizada, nas diversas regiões do país, no período pós-CBA.
Sobre o 14º CBA e as próximas eleições da diretoria

É importante considerar que, ao longo de sua trajetória, a ABA-Agroecologia vem realizando os Congressos Brasileiros de Agroecologia (CBAs) com periodicidade bianual, exceção feita ao período da pandemia de Covid 19, momento em que o Congresso foi adiado.
Também deve-se reconhecer, no entanto, que a organização dos nossos Congressos, cada vez maiores e mais desafiadores em termos operacionais, tem exigido complexos arranjos políticos, técnico-científicos e financeiros, demandando um olhar cada vez mais atento ao fortalecimento dos processos organizativos da Associação, e de uma agenda institucional entre Congressos.
Avaliamos que o desenvolvimento organizativo da ABA-Agroecologia demanda, nesse momento, um esforço cuidadoso e sistemático de enraizamento da Associação em seus diversos contextos de atuação, nas várias regiões do país.
Torna-se necessário, nesse momento, um ajuste fino das inúmeras atividades e dimensões organizacionais dos CBAs, qualificando o processo de estruturação das Comissões Locais envolvidas na realização dos Congressos, aperfeiçoando, também, todo um conjunto de estratégias de captação de recursos.
Entende-se, aqui, que o 14º CBA, previsto para o ano de 2028, deverá se abastecer das forças coletivas que serão renovadas através da realização do 5º ENA, bem como do seminário nacional de reflexão sobre a ciência agroecológica, ambos programados para 2027.
Em conformidade com o Estatuto, será assegurada a realização da Assembleia Geral da ABA-Agroecologia voltada à escolha da nova diretoria para a gestão 2028-2029. Sendo assim, é tarefa da atual gestão avançar desde já na criação das condições necessárias para a realização do próximo CBA.
Reiteramos através desta comunicação nosso convite a todas as pessoas para que possam se engajar, coletivamente, na construção da Associação Brasileira de Agroecologia e do movimento agroecológico como territórios de esperança, entendendo que é na nossa atuação no presente, que futuros alternativos se tornam possíveis.
Fotos: Ludmilla Balduino/ABA-Agroecologia


