GTs de Juventudes da ABA-Agroecologia e da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) planejam juntos as ações para 2026, com foco na preparação para o Encontro Nacional de Agroecologia (ENA), que deve ser realizado em 2027, no Sul do Brasil

Com objetivo de fortalecer as ações e as atividades de construção do conhecimento por meio de agendas coletivas, e preparar jovens de todo o Brasil para o próximo Encontro Nacional de Agroecologia (ENA), os Grupos de Trabalho (GTs) de Juventudes da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA-Agroecologia) e Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) reuniram-se em janeiro para planejar as atividades para 2026.
Dentre as propostas de ação conjunta, os GTs devem programar momentos de trocas ao longo do ano, para conhecer pesquisas, projetos e experiências sobre juventudes e agroecologia. “A ideia é trazer pesquisadoras e pesquisadores, assim como experiências de juventudes dos territórios, para dialogar em nosso espaço formativo”, detalha Ghiulia Cabral, pesquisadora do grupo AUÊ! – Estudos em Agricultura Urbana, mestra em Geografia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e co-coordenadora do GT Juventudes da ABA-Agroecologia.

Outro desejo que parte da união de forças dos grupos é fortalecer a pesquisa sobre juventudes, em especial, sobre os acúmulos e aprendizados dos Estágios Interdisciplinares de Vivência (EIVs), que promovem o intercâmbio entre campo e cidade, e ajudam a integrar teoria e prática.
Também foi levantada a vontade de discutir como as organizações estão trabalhando com as juventudes e como estão fazendo para engajar e envolver as pessoas jovens. Durante a reunião, o coletivo Muxirum Jovem, de Mato Grosso, falou sobre a vontade de fazer um webinário com essa temática e fez um chamado para os GTs somarem nessa construção.
Além disso, dentre os próximos passos, estão a sistematização da Plenária das Juventudes que ocorreu no dia 15 de outubro durante o 13º Congresso Brasileiro de Agroecologia (CBA), e dos trabalhos do eixo temático Juventudes e Agroecologia, que foram apresentados durante o Congresso e constarão nos anais, a serem publicados pela revista Cadernos de Agroecologia, da ABA-Agroecologia. Os GTs realizaram em 2025 um momento avaliativo sobre os espaços das Juventudes no 13º CBA, e a sistematização da presença jovem nesses espaços terá os legados para a próxima edição, consolidando a ideia de que o CBA é movimento!
Juventudes articulam para o 5º Encontro Nacional de Agroecologia, em 2027

Durante a reunião entre GTs, o Grupo de Trabalho de Juventudes da ANA trouxe como pauta o 5º Encontro Nacional de Agroecologia (ENA), que vai acontecer em 2027, e a vontade de organizar as juventudes para esse momento, pensando inclusive em encontros “rumo ao ENA” durante este ano.
Regilane Alves, do GT Juventudes da ANA, lembra que, no 4º ENA, realizado em Belo Horizonte (MG) em 2018, as Juventudes estiveram presentes na produção do Acampamento, da Plenária, do Seminário e do Encontro de Fóruns. E que essa movimentação para articular e organizar esses espaços começa já em 2026.
“A gente está nessa expectativa de se organizar e se preparar bem para vivenciar o ENA em 2027 na região Sul do Brasil. Temos planejado e imaginado várias atividades, e uma delas é um encontro nacional das Juventudes, que deve ocorrer em 2026. Ainda não definimos o formato, mas o que temos certeza é que essa atividade nacional vai acontecer dentro dos espaços, dos coletivos, das organizações nas quais os jovens que compõem os GTs de Juventudes fazem parte, promovendo movimentos e caravanas rumo ao ENA. A ideia é chegar em 2027 já bem organizados, com atividades muito bem articuladas, gestadas agora”, comenta.
Por que é importante fortalecer a juventude na agroecologia?

As juventudes do campo, das águas e das florestas convivem com saberes locais e são excelentes elos de ligação entre práticas ancestrais e modernas. Por isso, é preciso que elas tenham condições dignas para permanecer em suas comunidades de origem, fortalecendo a sucessão familiar e contribuindo para a economia solidária das áreas rurais.
No final de 2024, o governo federal lançou o Plano Nacional de Juventude e Sucessão Rural, considerado uma conquista, mas que ainda carece de implementação. “Essa é uma conquista muito fragilizada, assim como são os direitos das mulheres, por exemplo. Por isso a ideia é fortalecer e fortalecer as identidades das juventudes, os lugares onde elas estão, os espaços que elas ocupam hoje, para que a gente continue ocupando mais espaços e fortaleça os espaços em que a gente está. Acho que esse é o desafio e é o que a gente procura, essa manutenção desses nossos direitos conquistados, também dentro do movimento agroecológico. É uma disputa de lugar, colocar nossas pautas, colocar nossa experiência, nossas vivências, nesses lugares. Aqui pelo menos a gente tem o diálogo! Fora desse espaço, o diálogo fica mais difícil, mas a gente tem realizado também”, complementa Regilane.


