
A Proteção Animal Mundial lançou o livro “Bicho Livre, Terra Viva: Criação Animal Agroecológica”, em setembro de 2026 no auditório da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), com uma roda de conversa sobre animais e agroecologia.
Participaram da conversa João Paulo Guimarães Soares, pesquisador da Embrapa Cerrados/Agrobiologia, membro da CONAPO e coordenador do Grupo de Trabalho (GT) Animais e Agroecologia da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA-Agroecologia), Luiz Carlos Pinheiro Machado Filho e Daniele Cristina da Silva-Kazama, professores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), e Nadine Marques (que presidiu a mesa) e Arilson Favareto, membros da Cátedra Josué de Sousa de Sistemas Alimentares Saudáveis e Sustentáveis e professores da USP. O evento de lançamento foi promovido pela Cátedra, que fica sediada na Faculdade de Saúde Pública da Universidade.
A transição agroecológica já começou – e com criação animal
Um dos capítulos do livro, “Transição agroecológica em sistemas integrados de criação animal: um caminho que já começou”, assinado por João Paulo Guimarães, demonstra por meio de várias referências científicas, que “a integração se apresenta como uma alternativa produtiva capaz de aumentar a qualidade e o valor agregado de produtos como carne, leite, ovos e mel”.
O capítulo descreve duas etapas essenciais para a transição agroecológica com criação animal: uma interna e outra externa. Dentre as etapas internas, estão as que podem ser realizadas diretamente pela produtora ou produtor. Ele lista “a redução e racionalização do uso de insumos químicos, a substituição de insumos, o manejo da biodiversidade, e o redesenho dos sistemas produtivos.
A etapa externa diz respeito à “expansão da consciência pública, organização dos mercados e infraestruturas, mudanças institucionais na pesquisa, ensino e extensão, formulação de políticas públicas com enfoque agroecológico e inovações referentes às legislações ambientais e de produção orgânica.”
Sobre o livro “Bicho Livre, Terra Viva”, João Paulo escreve: “para além de discussões teóricas, aqui vamos encontrar reflexões e experiências que nos levam a analisar o contexto atual, além de práticas que indicam caminhos possíveis de transformação – não em um futuro indeterminado, mas existentes em nossas comunidades e territórios onde a produção de alimentos é coerente com igualdade e Bem Viver.”
Agroecologia também é produtividade: cada real investido vira três reais
Em 2023, João Paulo Guimarães publicou o artigo “Desempenho Produtivo e Econômico do Sistema Agrossilvipastoril Orgânico no Cerrado” na Revista Brasileira de Agroecologia. O texto descreve uma pesquisa participativa de base agroecológica de novilhas leiteiras, realizada com agricultoras e agricultores de assentamentos da reforma agrária no Distrito Federal e entorno.
A pesquisa registrou por três anos o desempenho produtivo e econômico de uma área de pouco mais de um hectare. Nessa área, foram cultivados milho, mandioca, batata doce, banana, eucalipto e árvores nativas, integrando a produção com a criação de novilhas em pastos rotativos de braquiária e capim elefante.
Os resultados são animadores: a pesquisa concluiu que, a cada um real investido, a agricultora ou o agricultor recebe três reais de retorno. Assim, a pesquisa comprova que a transição agroecológica tem se mostrado fundamental para garantir a soberania e a segurança alimentar no Brasil, já que a agroecologia é uma ciência, prática e movimento que orienta práticas e processos que garantem retorno econômico com justiça social e cuidado ambiental.
Para João Paulo, é importante divulgar esse tipo de conhecimento, para que ele possa colaborar para a realização da etapa dois da transição agroecológica, que tem a ver com a expansão da consciência pública. “Nossa unidade de pesquisa participativa foi construída em conjunto com agricultoras e agricultores. Os resultados que a gente registrou foram enviados para famílias de outros assentamentos do entorno do Distrito Federal. E agora, o livro recém-lançado ajuda a ampliar esse conhecimento que traz soluções”, comenta o pesquisador e coordenador do GT.
Saiba mais sobre a campanha Bicho Livre, Terra Viva, da Proteção Animal Mundial
Sobre o Grupo de Trabalho (GT) Animais e Agroecologia
O GT Animais e Agroecologia tem como objetivo principal acompanhar e estimular as pessoas associadas da ABA-Agroecologia a participarem ativamente dos debates que envolvem questões relevantes e atuais relacionadas ao tema dos animais e agroecologia.
O grupo segue em articulação permanente junto às demais organizações e movimentos que discutem esses temas, participando ativamente de iniciativas da sociedade civil, ressaltando a Importância socioambiental dos animais para a agricultura e dieta humana em sistemas de produção orgânica e de base agroecológica.







