A Comunicação que conecta e propaga as sementes da Agroecologia

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Consideramos oportuno levantarmos o debate sobre o papel estratégico da comunicação no fortalecimento da Agroecologia durante o processo de preparação, de realização e pós-realização deste encontro de encontros que é o Agroecologia 2017: o X Congresso Brasileiro de Agroecologia (CBA), VI Congresso Latino- Americano de Agroecologia, IX Encontro Nacional de Grupos de Agroecologia e do V Seminário de Agroecologia do DF e Entorno, levando em conta suas potências na promoção do diálogo direto com estudantes, pesquisadores, educadores, profissionais, governantes e com a sociedade em geral e também suas abrangências de público e em termos territoriais, políticos e sociais.

Neste sentido em abril realizou-se a Oficina Nacional de Comunicação e Mobilização Pré-Congressos Brasileiro e Latino-Americano de Agroecologia, durante a qual por dois intensos e produtivos dias se reuniram as comissões de comunicação e mobilização para sintonizarem compreensões acerca do planejamento e da atuação até os eventos que ocorrerão em Setembro. Dentre os objetivos da oficina, buscou-se fortalecer os elos da rede de comunicador@s agroecológic@s e avançar na pauta da comunicação, que cada vez mais vêm ganhando atenção no movimento agroecológico. A oficina se insere entre as inovações proporcionadas pelo congresso, marcando um avanço ao ampliar a importância dada à comunicação. A comunicação cumpre um papel chave no diálogo com a sociedade a fim de envolvê-la nas pautas agroecológicas, para além dos setores já mobilizados.

Na programação dos eventos haverão apresentações técnico-científicas e espaços participativos e transdisciplinares, destinados à reflexão e construção coletiva como: a novidade dos relatos de experiência popular, intercâmbios de experiências, a metodologia da montagem da programação do evento em trilhas,  feiras e atividades culturais. É importante salientar o caráter essencialmente comunicativo dos eventos, para além de seus espaços tradicionais de exposição de trabalhos técnico-científicos, bem como promotor do diálogo de saberes e da emergência da transmissão de diferentes formas de conhecimentos no seu sentido mais primitivo: o encontro, o olho no olho, a prosa, seja na feira, seja num encontro casual de corredor ou em uma cultural, cada um/a de nós estamos em um ativo processo de comunicação e de aprendizagem mútua.

Processo Colaborativo da Comunicação

A construção de uma comunicação com a cara da Agroecologia, horizontal, participativa, emancipatória, colabora-ativa, integra um amplo processo, que inclusive transcende os eventos, se perpetuando no tempo e no espaço . Neste sentido é importante salientar a característica PROCESSUAL da comunicação que nem deriva de eventos ou se limita a eles, mas que se mantém (ou deveria se manter) pulsando de forma vivaz por entre as redes de apoio mútuo. Nesse contexto, na oficina nos desafiamos a, além promovermos um processo de mobilização que efetivamente represente nossas bases nos eventos, organizar uma comunicação compartilhada e uma cobertura colaborativa conectada com um amplo processo coletivo horizontal e cooperado, bem como afinada com os acúmulos e articulações que vem sendo tecidos no âmbito do Movimento Agroecológico nacional.

Afinando-n@s com a abordagem do presente congresso, que buscará resgatar a raiz, a memória e realizar a leitura histórica da agroecologia, conectando-a com um sentido de juventude e futuro a partir das trilhas, do percurso, da caminhada, do “caminho que se faz ao caminhar”, a comunicação é uma semeadura que cada vez tem recebido, e deverá receber, mais atenção e tem sido cada vez melhor cultivada entre quem semeia e enraiza a agroecologia.

Sendo assim, na intenção de dinamizarmos a articulação e consolidarmos a rede de comunicador@s agroecológic@s, se faz necessário colocarmos em pauta enquanto um desafio coletivo o de como vamos manter pulsantes os processos comunicacionais entre @s comunicador@s das organizações/redes/movimentos. Neste sentido, é importante frisar o caráter da comunicação, para muito além do operacional ou instrumental, mas enquanto metodologia e processo político coletivo permanente, intrínseco ao Movimento Agroecológico, que em conjunto com a mobilização permite o fortalecimento de nossas redes e cujo pulsar dá capilaridade nos territórios.

#Agroecologia 2017

Este ano, entre os dias 12 e 15 de setembro em Brasília/DF, teremos a realização integrada de quatro relevantes eventos agroecológicos: o X CBA, promovido pela Associação Brasileira de Agroecologia (ABA); o VI Congresso Latino-americano de Agroecologia, promovido pela Sociedade Científica Latino-Americana de Agroecologia (SOCLA); o V Seminário de Agroecologia do DF e Entorno, promovido pela Articulação Brasiliense de Agroecologia (ABRA); e o IX Encontro Nacional de Grupos de Agroecologia, promovido pela Rede de Grupos de Agroecologia do Brasil (REGA Brasil).

Com o tema “Agroecologia na transformação dos sistemas agroalimentares na América Latina: memórias, saberes e caminhos para o Bem Viver”, a abertura do congresso, que acontecerá no centro de convenções Ulysses Guimarães, coincidirá com a Semana do Cerrado no DF, que visa promover a reflexão sobre este que é o segundo maior bioma brasileiro. A expectativa é que o evento reúna, por dia, cerca de cinco mil pessoas vindas de todas as regiões do Brasil e de outros países da América Latina.

A realização desses grandes eventos na capital federal insere a cidade no cenário internacional das discussões sobre Agroecologia e também fortalece as experiências regionais de construção do conhecimento agroecológico. A organização do evento reflete um processo horizontal, no qual mais de 40 instituições ocupam papéis importantes na articulação e na realização dos Congressos de Agroecologia de 2017.

Texto: Tatiana Weckeverth Furquim/ Comunicadora da ABA e do Núcleo de Ensino, Pesquisa e Extensão em Agroecologia no Território da Borborema (NUEPEA/UFPB-CAVN)

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