As redes tecidas pelos Núcleos de Estudos em Agroecologia

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Mais de 120 pessoas participaram, de 11 a 14 de março, de evento sobre políticas públicas, ciência e diálogo de saberes em Brasília

Profa. Dra. Raquel Rigotto, Coordenadora do Núcleo TRAMAS (UFC), compõe o GT Saúde e Ambiente da Abrasco, falou sobre Saúde, Agroecologia e Território

“A criação do Núcleo de Estudos em Agroecologia (NEA) da Universidade de Brasília foi um sopro de vida”. Com esta inspiradora afirmação abrimos o seminário Perspectivas no Ensino, Pesquisa e Extensão em Agroecologia no Brasil, organizado pelo NEA-UnB em parceria com a ABA-Agroecologia. Realizado de 11 a 14 de março no auditório da Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz), o evento trouxe a importância das distintas ações e estratégias, tais como as políticas públicas, para o fortalecimento das diversas e múltiplas ações que envolvem a construção do conhecimento agroecológico no país.

O apoio para criação, manutenção e funcionamento dos NEAs, que podem ser considerados inovações nas instituições brasileiras de ensino superior, médio e de pesquisa, é muito importante no fortalecimento das redes e grupos que trabalham com agroecologia no país. De fato, esta ação pública (chamadas via editais) foi implementada em 2010 pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) em parceria com órgãos e ministérios do Governo Federal. Assim, os NEAs se configuram como espaços de resistência, enfrentamento e também de acolhimento às diversidades expressas na agroecologia.

Para Flaviane de Carvalho Canavesi, professora da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária da UnB e coordenadora do NEA-UnB, “é muito importante olharmos para a quantidade de pessoas envolvidas nas ações dos NEAs em todo o país e a possibilidade real que temos de nos articular nacionalmente através dos núcleos. Hoje são quase 200 NEAs em funcionamento nas cinco regiões do país com financiamento público, fortalecendo nossas redes e contribuindo com a construção do conhecimento agroecológico no Brasil”.

O debate sobre políticas públicas veio acompanhado dos anúncios de experiências enraizadas nos territórios, pesquisas que partem da ótica da educação popular e das metodologias participativas, desenvolvimento de tecnologias sociais e o  trabalho coletivo e solidário.

Ciência, movimento e prática

Partindo da compreensão da agroecologia enquanto ciência, movimento e prática e a indissociabilidade do ensino, pesquisa e extensão, percebemos a necessidade de contextualizar as diferentes dimensões de nosso trabalho e formas de interpretar o mundo. Criar ambientes que possibilitem a ecologia de saberes, que abram espaço para os diversos sujeitos trazerem a sua própria história e olhar, são alguns dos princípios que guiaram os seminários.

A que ciência nos referimos e desejamos fortalecer? Que conceitos e epistemologias trazemos para nossas práticas e pesquisas? Estas e outras reflexões permearam os debates sobre a construção de políticas públicas; a ciência agroecológica – que traz suas contribuições a partir da constante e profunda interação com os sujeitos e suas práticas; diálogo de saberes e inovações; comunicação científica; saúde e território.

No intuito de potencializar as discussões e trazer as inúmeras ações do movimento agroecológico em todo o país, o evento contou com a exibição da vídeo reportagem e o lançamento da Carta Política do IV Encontro Nacional de Agroecologia (IV ENA), realizado em 2018 na cidade de Belo Horizonte.

Para Paulo Petersen, vice-presidente da ABA-Agroecologia e membro do núcleo executivo da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), “este (Carta Política do IV ENA) é um documento para estudo em nossas organizações; é um documento que precisa ser colocado em sala de aula; ser discutido nos movimentos; ser discutido no parlamento, porque vem de uma longa história, vem das lutas agrárias e populares”.

Leia a versão completa da Carta Política aqui

Assista o vídeo sobre o IV Encontro Nacional de Agroecologia:

Transmissão ao vivo

Os quatro dias de seminário foram transmitidos ao vivo através do canal da ABA-Agroecologia no youtube, com mais de 1200 pessoas acompanhando. O conteúdo segue disponível nos links abaixo:

11/03 –Seminário Construção das políticas públicas para agroecologia e produção orgânica nos estados federados do Brasil

Link transmissão – https://youtu.be/rR4nMdR-lMw

12/03 –Mesa de abertura

Seminário Agroecologia como ciência e diálogos interepistêmicos

Link transmissão – https://youtu.be/Ixy6Ihd1RI8

13/03 –Debate público Agroecologia e Democracia unindo campo e cidade: lançamento da Carta Política do IV Encontro Nacional de Agroecologia (IV ENA) e exibição de vídeo-reportagem sobre o IV ENA

Seminário Diálogos de Saberes e a inovação na Agroecologia

Link transmissão – https://youtu.be/Q6X8hcgltqg

14/03 –Debate Comunicação Científica: A contribuiçãoo da Revista Brasileira de Agroecologia

Seminário Saúde, Agroecologia e Território

Link transmissão – https://youtu.be/ZMu3gi_ySGc

As exposições, pesquisas e dados apresentados durante as mesas também estão disponíveis em https://www.dropbox.com/sh/nh7t0i13z5bgbjk/AACQ-GgIpGugrtVyYUAlEWXta?dl=0

Para sua realização o evento conta com o apoio da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária (FAV), do Centro de Desenvolvimento Sustentável (CDS), do Projeto Monitora, da RETE, do Programa de pós graduação MADER da UnB, da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), da Rede de Políticas Públicas e Desenvolvimento Rural na América Latina,, da Fundação de Apoio a Pesquisa do Distrito Federal (FAP/DF) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico (CNPq).

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Educação popular Ensino, Pesquisa, Extensão Metodologias participativas NEAs

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