Discussões apontam agroecologia como alternativa aos caminhos hegemônicos do mercado

Conferência Conjunta “Manejo e economias dos agroecossistemas de base agroecológicas | Foto: Breno Batista

Por Leonardo Maia

“Que história é essa de plantar de um jeito só. Plante com diversidade, pra natureza é melhor”.

Foi com esse refrão que as fiandeiras Penha e Neudo abriram o ritual de compartilhamento dos resultados dos debates nos Tapiris na Conferência Conjunta sobre “Manejo e economias dos agroecossistemas de base agroecológicas”, que ocorreu no XI CBA, na tenda Cacumbi.

Após o ritual de encantamento, as fiandeiras abriram espaço para a troca de experiências, discutindo temas que propõem novas formas de pensar a economia, dando destaque para a agroecologia como forma alternativa e visibilização do trabalho da mulher nesses processos.

Luis Mauro, professor e pesquisador da UFPA (Universidade Federal do Pará), afirmou que a imposição da economia agroindustrial não tem conseguido minar, nem mesmo simplificar as produções familiares. Ele afirma que mesmo com a imposição desse modelo, nota-se que as trajetórias e o projeto de vida das famílias mostram processos de diversificação de um agroecossistema, ampliando a agrobiodiversidade.

Em seguida foi a vez de Luciano Marçal, assessor Técnico e membro do Núcleo da Coordenação da AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia. Ele trouxe para o debate propostas que nos convidam a repensar a economia, diante da crise de civilização, consequente do modo de produção capitalista, que põe em risco nosso planeta.

A proposta consiste em três pilares: construção de uma economia que rompa o divórcio entre economia e ecologia; retomada e apropriação da produção de riqueza nas mãos de quem trabalha; ruptura do caráter patriarcal que subjuga e explora o trabalho da mulher.

“A gente precisa fazer essa disputa através de propostas, de uma luta muito concreta, através das experiências que nós temos construído, para que de fato a gente consiga avançar na ruptura do caminho hegemônico, vertical, expropriador de território. Que a gente possa produzir economias circulares nos agrossistemas, nos territórios, capazes de valorizar a diversidade, capazes de promover processos cíclicos, para que o manejo econômico dos agrossistemas ande de par com os ciclos ecológicos da natureza”, conclui Marçal.

Por último Laetícia Jalil, do GT de gênero da ABA (Associação Brasileira de Agroecologia), falou sobre o trabalho fundamental das mulheres na agricultura familiar. Segundo ela, as cadernetas agroecológicas e a mesa sobre economias permitiu entender de outras economias, que são fundamentais pra a vida.

Ela ainda destacou que a produção da agricultura familiar, que representa mais de 70% dos alimentos que abastecem a mesa dos brasileiros, tem como protagonistas as mulheres, e que o trabalho da mulher é invisibilizado. Jalli também chamou atenção para o fato de que a economia não considera o trabalho de produção, reprodução e dos cuidados desenvolvidos pelas mulheres, razão pela qual defende o estabelecimento de diálogos entre a agroecologia e processos de visibilização do conhecimento das mulheres como sujeitos econômicos e políticos.

“As mulheres têm um papel determinante do que a gente chama de uma economia para a vida. De uma prática produtiva que leve em consideração não apenas a lógica de mercado, mas, sobretudo, uma lógica produtiva que leve para o autoconsumo, para as relações de troca, as relações de solidariedade e as relações de reciprocidade”, concluiu Jalil.

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