Rede aproxima consumidores e produtores de alimentos saudáveis na Zona da Mata mineira

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Conectar quem produz comida de verdade e quem deseja consumir alimentos de qualidade. Foi com este propósito que a Rede Raízes da Mata foi criada há oito anos, em Viçosa (MG).

Em dia de entrega de cestas, a sala principal da Rede Raízes da Mata é preenchida por cheiros, cores, sabores, texturas e muitas histórias das famílias que sustentam a riqueza alimentar da Zona da Mata mineira. Um organiza daqui, um seleciona dali e, em pouco tempo, tudo está preparado para entregar alimentos frescos, semeados e colhidos por mãos agricultoras e mais uma variedade de combinações que é fruto do beneficiamento e processamento desses alimentos.

Após a conferência cuidadosa dos itens e quantidades trazidos pelas produtoras e produtores, cada pedido da lista é montado, resultando nas mais de cinquenta cestas entregues semanalmente a famílias de Viçosa, Coimbra, Astolfo Dutra e Cataguases. (Saiba mais sobre a entrega de cestas clicando aqui.

“É tão legal! A gente pega os pedidos e passa dividindo pra todo mundo. Vê que tem um pouquinho pra todo mundo, que todo mundo pode se ajudar.” Fernanda Araújo

Além de toda a movimentação relativa à entrega de cestas, a Raízes da Mata articula também a participação das agricultoras e agricultores na Feira do Quintal Solidário realizada na Universidade Federal de Viçosa (UFV), nas feiras municipais organizadas pela prefeitura e mensalmente na Feira Agroecológica e Cultural da Violeira. A Rede conta também com um empório permanente no Centro de Tecnologias Alternativas da Zona da Mata (CTA-ZM) na zona rural da Violeira, e outro no Instituto Alba Quercus no centro, ambos em Viçosa, comercializando produtos processados localmente e produtos orgânicos e agroecológicos nacionais.

Inspirada na experiência de outras redes de consumo, a Raízes da Mata foi criada em 2011 por estudantes e professores integrantes dos grupos de agroecologia da UFV e contou com o apoio da Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares (ITCP-UFV), do Centro de Tecnologias Alternativas CTA/ZM e do MST da Zona da Mata. Atualmente, está vinculada ao Núcleo de Educação do Campo e Agroecologia ECOA- UFV.

Uma das fundadoras da Rede, a agrônoma Nina Abigail celebra a consolidação da Raízes e as transformações geradas pela iniciativa, que já impulsionou o surgimento de dezenas de feiras e grupos de consumo em Viçosa e região.

“A Rede abriu caminho para que em Viçosa se possibilitasse o acesso a produtos agroecológicos, incentivando os agricultores a se firmarem nesta escolha e oportunizando que os produtos chegassem à mesa das pessoas. Tudo isso de uma forma solidária: construída em rede, com as famílias e com os consumidores.” Nina Abigail

Nos seus relatos, as agricultoras e agricultores evidenciam como a Rede vem transformando suas vidas, por ser não apenas uma forma de comércio justo, mas também um sistema de mútuo apoio, em que os conhecimentos são construídos coletivamente e as responsabilidades são assumidas por todos. Nas reuniões, mutirões, feiras e demais ambientes de trocas, compartilham aprendizados que os permitem avançar juntos na vivência da agroecologia e da produção orgânica.

“Eu tenho quatro anos de Raízes, e isso significa algo muito importante pra mim, porque faz parte de um processo de mudança de vida. Tudo o que eu conheço sobre agroecologia e agronomia eu aprendi com a Rede e com as pessoas que fazem parte dela.” Lucas Souza

“Quando a Rede completou dois anos, a gente começou a vender. Participar nos ajuda em termos financeiros, mas mais ainda em termos do conhecimento que a gente adquire no grupo; aprendemos muito com as pessoas da Rede!” Maria do Socorro

“A nossa fusão na Rede traz conhecimento e alegria. Participar ajuda a cada um a se desenvolver, a seu ritmo, e ter um apoio importante para continuar a divulgar os trabalhos.” Xavier Le Moigne

Em setembro de 2018, a Rede Raízes da Mata foi cadastrada pelo Ministério da Agricultura como a primeira Organização de Controle Social (OCS) da microrregião, atestando a qualidade orgânica de três unidades familiares e continua desbravando caminhos. Neste ano, ao renovar o certificado de OCS, a Rede espera formalizar pelo menos mais três cadastros. Atualmente, é um dos grupos envolvidos na construção do Sistema Participativo de Garantia Orgânica (SPG) no Polo Agroecológico da Zona da Mata e gesta, para um futuro próximo, a criação de uma moeda social e um fundo de crédito, a fim de consolidar um Circuito Econômico Solidário de fortalecimento econômico para toda a comunidade.

Com raízes fundadas na fertilidade da agroecologia e da economia solidária, busca cada vez mais florescer e frutificar!

Texto: Angélica Almeida | Edição: Nina Abigail

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